MARIA GORETE
Não é sem tristeza que ela constata:
_ Você é um sapo.
Ao que ele esbraveja:
_ O que você queria que eu fosse, um príncipe encantado?!
Ao que ela responde, cansada:
_ Não... Um homem.
Ele se cala.
( Silêncio mortal )
Depois diz :
_ Sabe o que eu acho? Você vive em outro planeta, minha cara... Saiba que eu sou exatamente igual a todos os homens do mundo!!! E se não está satisfeita, então abre a janela e pula, pronto, resolvido!
Dessa vez é ela quem se cala. Caminha lentamente até a janela, abre as cortinas e deixa o sol entrar... Então se detém, pensativa.
Lá embaixo inúmeros pontos minúsculos se movimentam, gesticulam, gritam. Mas não são pontos, ela pensa tranqüila... São seres humanos. E ela, toda satisfeita, sorri. Ele não entende o que se passa. Ela também não entende, ainda... Mas não entender faz com que ela ache em tudo aquilo uma estranha graça...
Ela ainda acredita na humanidade.
Escrito por Raquel às 19h21
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