CAMILLE
Olhou as ondas, contou. Era o momento de organizar, dividir em gavetas, enumerar e compartimentar todos os ítens da vida.
Olhou o relógio e faltavam apenas dois minutos. Estava, então, elegantemente vestida de azul, num modelo esvoaçante de crepe finíssimo, cabelos presos no alto da cabeça com fios soltos caindo pelos ombros e descendo em ondas sinuosas até as espáduas.
E sandálias – pretas – de tiras trançadas ao redor do tornozelo e saltos agulha conferindo ao andar uma certa rigidez desequilibrada, mas ainda assim: linda!
Desceu as escadas, foi à frente do espelho, conferiu a maquiagem. Bebeu água na cozinha. Lembrou-se a tempo e colocou duas gotinhas do perfume mais caro. De novo ao espelho: sim, a imagem agradava. Beijou-o com batom vermelho, agradecida.
Como seria bom prolongar ao máximo o tempo que ainda restava...
E lá estava : desequilibrada, miseravelmente frustrada e ainda assim... linda. E de forma irremediável! Era, por assim dizer, feliz.
Escrito por Raquel às 18h14
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