PAULA
Compreendo. O que querem me ensinar, pouco importa. O que quero aprender, menos ainda. Mas cresço, isso é um fato. Talvez mais por puro instinto... Mistura de vontade e tropismo pelas coisas. Só algumas, não todas. Só as que se parecem fatos. Só as que me acrescentam, entre utilidades e futilidades. Porque o princípio de tudo se resume em: Para que? O que serve e o que não serve me bastam. As existências impalpáveis, tudo o que foge à natureza de coisa não me faz parte. E eu as nego, por serem rarefeitas como o ar... Pouco me importa. Ainda que eu precise estufar os pulmões vinte vezes a cada minuto da vida. Também não quero ritmo e compasso, nem poesia ou fantasmas. Quero sim, a embriaguês da utilidade. E das coisas caras... Porque tudo deve se resumir entre servir e não servir... A inutilidade me estraga! Porque estando sóbria compreendo - É então insuportável! - A dor do entendimento... Do que é só gratuito e claro.
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Escrito por Raquel às 15h10
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