ÂNGELA
Deus, eu que não acredito em você...Peço forças pra viver. Era tão bom quando você existia...E podíamos conversar até dormir. Que saudade, Deus. Como era doce... _ Segura na mão de Deus e vai! Dizia a canção da manhã no colégio de freiras. _ Segura na mão de Deus e vai! Diziam as freirinhas crédulas, a certeza estampada em olhares convictos... _ Vamos de mãos dadas! Diziam alegres... E eu acreditava! Cheia de graça... Meu deus, como era doce! Por que é preciso errar tanto, por que crescer puxa, dói, arrebenta? Por que não consegui preencher esse vazio quando você foi embora? Por que deixei você ir? E agora? Por mais que eu tente me aproximar você foge, eu simplesmente não consigo... Você virou biografia, parte da minha história, cartas velhas guardadas na gaveta, resquícios de um amor antigo, retratos, nostalgia, vazio. E eu tentei tanto, mas tanto, mas tanto... Eu queria tanto que você ficasse comigo... Mas não pude. E sem perceber você se perdeu pra sempre! E sei que nunca mais te terei de novo. Nem eu mesma... Entrelaço minhas mãos vazias... E silêncio.
Escrito por Raquel às 13h43
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