ATÉ O SOL NASCER
Até que a esperança se renove... Até que um dia venha após o outro e os redima. Em meio à solidão, à rotina estressante e ao individualismo da vida moderna, Glória e John, dois seres pertencentes a mundos opostos, se encontram. Ela, uma garota linda e bem sucedida, mergulhada em depressão e desespero. Ele, um garoto de programa vivendo à margem da sociedade. Em comum, o fato de que ambos vivem dentro da noite. É durante a noite que respiram, existem, alimentam expectativas. De dia preenchem os espaços com inutilidades fundamentais ou simplesmente: nada. E costumam dormir. Mas a noite restitui a magia, os defeitos são perdoáveis, os encontros são desejados e um entendimento mútuo pode se tornar possível. Mas o mergulho no mundo do outro é extremamente difícil. É preciso mais que magia. É preciso esforço, paciência, sensibilidade... E ainda assim, muitas vezes o universo alheio se revela indecifrável. E então só resta amar o enigma... E temos a manhã inevitável. Ela dilui a densidade da noite com sua vinda, desfazendo impiedosa os laços frágeis tecidos na madrugada. Interruptora. Apagam-se as estrelas e surge o dia com seu aroma de pão fresco e café morno... Leite cremoso em xícaras limpas de porcelana, brisa suave, água da pia escorrendo límpida em colheres de prata. A manhã redime: pura e fresca, sem magia, sem preâmbulos rebuscados, sublime em sua castidade... Então eles dormem, cansados. Ela, mergulhada em pesadelos... Ele, em sonhos de uma nova vida... Eles não pertencem à simplicidade, eles talvez nunca sejam redimidos. É à noite que vivem... Até o sol nascer.
Escrito por Raquel às 17h15
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