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Escrito por Raquel às 16h15
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E QUEM DISSE QUE ERA JUSTO?
O inferno está cheio de almas inocentes. O inferno é pra onde quase todos os ingênuos caminham. Uma boa alma ingênua estará certamente fadada ao inferno a não ser que seja completamente sincera tanto em sua bondade quanto em sua ingenuidade. Isso a torna sublime e portanto intocável pela dor, da qual se alimenta e transforma em benefício próprio. Mas são verdadeiras raridades... E todos os dias grandes massas de boas almas marcham ingenuamente para o inferno.
Sádicos e mazoquistas habitam o inferno... em extremos opostos. Os que têm excesso de malícia e esperteza não conhecem outro lugar no mundo... E os que foram, desde cedo, maltratados, humilhados e agredidos estão ali há tanto tempo que nem sabem mais onde se encontram. Os inteligentes entraram por curiosidade e ali permanecem por vício. E se sentem os mais idiotas do mundo, mas já é tarde. O caminho inverso talvez seja a loucura.
O céu deve estar cheio de crianças, loucos, bichos e santos. Mas, que fique bem claro, nem todas as crianças estão no céu. Eu fui uma das que não estavam, embora desse passeios entre as nuvens. Os bobos estão no céu. Os espertos jamais sairão do inferno. E os ingênuos marcham, inevitavelmente...
Escrito por Raquel às 08h02
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AUTO REVERSO
Ginástica para o corpo.
Música para a alma.
Filosofia para o espírito.
Coisas que existem insuspeitas de tão óbvias. Mas se madeira que é madeira toma sol esparramada e toma vento de braços abertos: é poesia? Também, também... Mas viver num mundo que já não crê nos bichos e duvida das coisas me faz criar uma película protetora em torno de cada nervo.. Só para não doer? Talvez, talvez... Mas madeira fria também é matéria morta, eu sei.Vejo sol dentro do lápis, trazendo à tona histórias feitas em algum lugar profundo do inconsciente. Sinto vento no papel das páginas...viradas, reviradas, fazendo estalo e barulho de chuva entre os meus dedos... Tenho certeza de que o mundo fora de mim é mais quente. O calor do sol que não pode sair do meu lápis... é bonito, é imenso, incompreensível... E é por isso que talvez eu faça uma visita... Antes de voltar. Tenho aprendido a rir e conversar e beber e falar. – Coisas também insuspeitas de tão óbvias.... Mas... Óbvias só pra quem não é visita. E visita é sempre uma gente incômoda,querendo cafè e cerimônias na sala mais bonita... “Sinta-se em casa”, dizem sempre. E é mentira. Mas madeira fria também é matéria morta, eu sei. Arte também é loucura. Às vezes mansa, às vezes tola... Na maioria das vezes inútil e torta, mas também... é arrancar todas as portas e fazer uma fogueira de chamas fortes. E juntar cadeiras, mesas, palcos, lápis e também toda a madeira fria da celulose do papel em que escrevo, de todos os papéis que faço, todos os dias... Fogo não pode ser matéria morta, eu sei. O que falta é isso. E ser às vezes anfitriã, não só visita, quem sabe...Ginástica para o corpo, música... Mas como é que se termina isso???
Escrito por Raquel às 13h10
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POST - REPOST - REPOST...
Lá em baixo o vento nas ondas sussurra: Fantasmas! Fantasmas! Frases de um outro tempo.
Água salgada nas rochas, fantasmas.
Dividir as águas. Como passar pelo maremoto e sair com vida?
Não sair. Afogar-se. Jogar-se. Deixar-se levar e ser engolido. Morrer se for preciso. Porque depois... A vida que surge é outra. É a que nasce das águas, das tragédias. E traz em si a comédia, o riso fácil, o "rir de si mesmo", a sabedoria.
Jogar a moeda e seguir com os olhos a transeunte apressada, cultivar desejos, amar o inatingível.
Escrito por Raquel às 12h10
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