O OLHO
O olho aberto. Muito aberto. Atento. A vida em cena inaudível desfilando à sua frente. Nenhum som. Silêncio... Mas o olho observa as pessoas que falam, gesticulam, riem, perguntam, inquietas. O olho sabe. Mas a boca responde frases já prontas, pouco pensadas, quase sempre... O olho entrefechado percebe que a boca sorriu e se formaram rugas de expressão ao seu lado. Mas o olho não se mexe, antes espera. O que? Talvez o que nunca chega... Às vezes, no entanto, se inquieta. Apenas na superfície, porque no fundo continua imóvel, num lugar muito frio. Às vezes se emociona e paira por instantes em água morna e tranqüila... Mas logo depois: Frio. O olho sabe... Está sozinho.
Escrito por Raquel às 23h20
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