O GRANDE HOMEM
O menino olha a rosa, temeroso. Ela se agita com o vento, cada vez mais perfumada.
Os lábios prensados entre os dentes pedem o que a mão não quer fazer. Está tão perto, se esticasse um pouco mais o braço...
_ Vamos, filhinho, peque a flor.
Mas flores são coisas pras meninas. Seria tão constrangedor...
_ Não.
E abaixa o braço depressa, antes que um olho de vidro e um estalo gravem pra sempre que ele, ele que já é "quase um moço", se aproxima de flores.
_ Não, mamãe! Isso é coisa de menina.
Era o que certa vez lhe haviam dito e era mesmo verdade. Sempre via as meninas com flores nas lancheiras, nas pastas, nos livrinhos... Os meninos não! Carregavam suas pastas sempre cheias de máquinas fortes, de puro aço, estampas de carros da última geração.
( Continua...)
Escrito por Raquel às 17h05
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