- Quero arrancar cada fio do seu cabelo... Eu te desejo uma morte lenta e dolorosa...
- Esquece tudo.
- Não posso! Eu te odeio!
- Quer que eu me mate?
- Ora por favor.
- Quer que eu me mate?
- Então vai. Se joga pela janela.
( Ele a olha estupefato)
- Vamos, está esperando o que?
( Ele hesita um pouco, mas acaba subindo no parapeito)
- Você não vai sentir minha falta?
- Não.
- Mentira...
- Estou sendo sincera.
- Aí você fica?
- O que ?
- Se eu me jogar... você fica?
- Ora, vamos...
- Promete!
- Penso nisso depois.
- Não, agora! Me diz, por favor, promete que fica, e me perdoa, e vai chorar porque a casa está vazia...
- E alimentar os peixinhos, encher as garrafas de água, passar o aspirador uma vez por semana, mais alguma coisa? Ah, sim, claro, uma foto sua no porta-retrato.
- Não! Uma foto nossa... Se eu pular você fica, esqueceu?
- Não... Eu vou embora
- Então não vale a pena.
- Morrer? Ou viver?
- Dá no mesmo... ( Silêncio )... Olha quantos carros, tão pequenininhos lá embaixo.
- Desce daí.( Agora preocupada)
- E tem uma menininha tomando sorvete.
- Eu não queria...
- Espera!
- O que?
- Caiu no chão, ela está chorando...
- Porque na verdade eu...
- Coitadinha...
- Eu...
- Chora tanto... Parece que o mundo vai acabar nesse instante.
- ...não queria...
- Está indo embora...( Acena com uma das mãos)
- Que estranho...
- Olhou pra trás!
- Como eu vejo as coisas, tão estranho...
- Será que ela me vê?
- Tenho a sensação...
- Ei, menina! ( Acena de novo)
- É como se ...
- Que é que você tem? ( Continua acenando)
- Como se já não...
- O que?
- Como se a gente já não tivesse...
- O que?
- Nada pra dizer um pro outro.
Escrito por Raquel às 17h04
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