Brejeiros
Um mundo diferente, um mundo todo no Sertão do Nordeste.
Um brejo, uma cruz... Um açude pra pegar água todas as manhãs. A lata cheia do líquido turvo pesando nas costas, dor nos músculos. Mas o cabra do Nordeste é bravo, o sol marcando a face, deixando no rosto expressões severas... E ele altivo. Do alto das costas curvadas, uma altivez insensata, de quem ainda agüenta... o peso da lata, a aspereza da terra, o preço da água.
Lá vai ele a caminho de casa. Vai apressado que a graça de Deus ainda permite estudar. Devora os livros, menino, mas vê se não esquece de trabalhar.
- Manda o menino pra casa dos parentes. quem dê a ele um cantinho, não há de faltar.
Vai-se embora, menino... Vai que só o tempo sabe o que faz... e já é um rapaz. Os livros, rapaz, são teus pés, teus olhos, tua boca, tuas mãos... Os livros, teus amigos natos, pesam como a lata.
Inconfundível o andar encurvado. Lá vai ele descalço pela estrada asfaltada, abrindo caminhos no interior do país. O diploma dobrado... A altivez agora sensata, de quem nunca esquece... o peso da lata, a aspereza da terra, o preço da água.
* Para meu pai querido e seus conterrâneos de Brejo do Cruz.
Escrito por Raquel às 11h55
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Conferência de São Tomé do Divino Espírito Santo
Essa história, na verdade, ainda não foi escrita. A única certeza que eu tenho é a de que ela existe... E está em algum lugar no mundo encantado das histórias, dos monstros e dos sorvetes... Mas esse mundo eu já não compreendo...
Sorte minha que ela também mora na casa do tio Ney... Mas mora sutilmente... Tão sutilmente que tenho a impressão de que nem mesmo o tio Ney se lembra de alimentar sua história (Sim, porque as histórias precisam ser muito bem alimentadas, disso eu sei).
O fato é que a história se esconde entre as paredes, nos colchões, nas panelas, na terra do quintal... Não grita, não pede, não fala... Mas respira e só então eu a posso escutar.
Escrito por Raquel às 15h58
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